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sexta-feira, 28 de março de 2014

Criação de aplicativos. Quanto custa?

Por Elton Minetto*
Lá por meados da década de 2000 a “onda” era ter um site na Internet. Todas as empresas “precisavam ter uma página”, mesmo as que realmente não precisavam ou não sabiam como usar o site como vantagem competitiva. Nos últimos anos a frase mudou para “preciso ter um aplicativo!” mas a situação continua parecida: “quanto custa?”, “o que preciso ter no meu aplicativo?”, “como o aplicativo vai trazer retorno para minha empresa?” e por aí vai.
Neste post, vou focar no órgão mais dolorido do corpo humano: o bolso. Para a resposta, vou apelar para a mais famosa das respostas técnicas: “aí depende”.  Mas neste caso é uma verdade, pois os aplicativos podem ser bem simples ou realmente complexos, com realidade aumentada, gráficos 3D, leitura de sensores, etc.
É importante entendermos o que forma o custo do desenvolvimento de um aplicativo.
Design
Aplicativos são diferente de sites ou sistemas desktop, assim como os usuários e suas expectativas. No desenvolvimento de um aplicativo o designer possui um papel de extrema importância pois ele precisa se destacar entre milhares de opções disponíveis nas lojas (iTunes Store, Google Play, Firefox Marketplace) além de fornecer uma interface fácil de usar, prática e rápida.
É importante o designer dedicar bastante tempo estudando os guias de design fornecidos pela Apple, Google, Microsoft, Mozilla, assim como testar a interface com usuários reais, em dispositivos distintos (principalmente no caso de aplicativos Android).
Também é preciso estudos de interfaces distintas para smartphones e tablets, pois é preciso aproveitar a tela da melhor forma possível para fornecer uma experiência agradável para os usuários.
Desenvolvimento
Encontrar bons desenvolvedores é uma tarefa complicada em qualquer projeto, mas no caso de aplicativos móveis isso é aumentado drasticamente. Programadores que conheçam Objective-C por exemplo, ou Java com experiência em Android são praticamente “moscas brancas”, profissionais raros.
Essa escassez de mão de obra aumenta muito os valores de salários e a dificuldade de manter esse profissional numa mesma empresa por muito tempo.
Gerenciamento de projetos
A maioria dos projetos de desenvolvimento de aplicativos não é muito grande, geralmente algumas semanas ou poucos meses. Apesar disso, são projetos dinâmicos, que envolvem muitos “stakeholders” como o cliente, marketing, desenvolvedores, designers, redatores, etc. Ter uma pessoa gerenciando o projeto, garantindo que o fluxo de informações e trabalho mantenha o ritmo desejado é importante.
Nativo X Webapp
Exista uma discussão grande sobre qual é a melhor abordagem para o desenvolvimento de aplicativos, mas geralmente opta-se pela criação de um aplicativo nativo quando é preciso maior performance e acesso mais preciso a sensores do dispositivo.
Enquanto que os webapps são geralmente usados quando os requisitos do aplicativo são mais simples. O custo do desenvolvimento de um aplicativo nativo é mais alto do que os webapps – porque é preciso usar uma linguagem mais específica para cada plataforma, como o Objective-C para iOS e Java (ou C) para Android, e esta mão de obra é mais difícil de encontrar.
Já os webapps possuem a vantagem de serem desenvolvidos com tecnologias mais difundidas entre os desenvolvedores, como HTML5, CSS e JavaScript. Além disso, um webapp pode rodar em mais de uma plataforma enquanto que o aplicativo nativo precisa ser desenvolvido para cada arquitetura.
Existem ferramentas e sites que geram aplicativos rapidamente a um custo realmente baixo. Mas é preciso ter em mente que o valor que se paga é relativo à qualidade que será entregue. Geralmente estes aplicativos permitem pouca customização, gerando diversos projetos idênticos, que vão ganhar pouco destaque nas lojas e nos dispositivos dos usuários. Além de, geralmente, apresentarem uma performance baixa.
Como sempre, é preciso pesar bem o custo X benefício de cada decisão de projeto.
Elton Luis Minetto é cientista da computação e CEO da desenvolvedora de apps Coderockr. Trabalha com PHP/MySQL, com Linux e com MacOSX.  É autor do livro Frameworks para Desenvolvimento em PHP, da editora Novatec, co-autor do livro Grid Computing in Research and Education, publicado pela editora IBM/Redbooks, EUA e autor dos e-books Zend Framework na prática, Zend Framework 2 na prática e Doctrine na Prática. É CEO da Coderockr.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Informações sobre o Marco Civil aprovado ontem

O Marco Civil da Internet foi aprovado ontem pela Câmara dos Deputados. O projetoregulamenta o uso da internet em território brasileiro e agora passar por votação no Senado Federal.
O pesquisador brasileiro Silvio Meira opinou sobre o tema em texto e o advogado Pedro Ramos da Baptista Luz Advogados e pesquisador do Núcleo de Direito, Internet e Sociedade da USP, que participou de mesa sobre o tema esta semana no Startupi, comentou alguns pontos da aprovação comigo.
Leia abaixo.

Mudanças


Acho que as mudanças foram dentro do esperado. A mudança da neutralidade da rede não é auto-aplicável e vai precisar de um regulamento e um decreto da presidência, mas isso era uma discussão política. Optou-se deixar claro que esse decreto deve ser limitado e deve focar em regular as exceções e cumprir o que está no Marco Civil. Na prática faz pouca diferença, mas devem ser ouvidos pelo Executivo a Anatel e o CGI antes de elaborar uma regulamentação.
Outra mudança importante foi a questão dos Data Center em território nacional. Após o escândalo do Snowden de vazamento de dados, a resposta enfática a espionagem no momento foi que empresas americanas ou brasileiras que operam aqui tenham dados em território brasileiro. Essa questão da hospedagem de dados não passou e tem consequências importantes: ela não leva em conta a capacidade da rede, por exemplo, e passa por outros problemas como a estrutura fraca nacional e o de que a espionagem agora poderia ser feita por órgãos brasileiros.

Fora de área


Esse artigo (que dava ao executivo o direito de ordenar que sites que prestassem serviços a usuários brasileiros guardassem dados em território brasileiro) foi trocado por uma cláusula dizendo que seja lá onde estiverem os dados, valem, para os usuários brasileiros, as leis do Brasil. Como vai funcionar isso com sites que não têm escritório aqui?
Isso é um problema que não está 100% resolvido no Marco Civil. Caso você faça uma compra num site americano e tenha um problema, pelo Marco Civil, será aplicada a lei brasileira, mas você vai ter que ter uma decisão de um juiz brasileiro que vai ordenar que um juiz americano aplique a lei em território americano. É possível pelas regras de direito internacional, mas é extremamente custoso e lento esse processo. Essa é uma questão que o Marco Civil não resolve e fica em aberto, mas a vantagem é a liberdade, pois se você só pudesse comprar em e-commerce estrangeiro que tem sede no Brasil você até o ano passado não compraria nada em loja estrangeira pela internet e seria um absurdo.

Movimento “a internet é livre e assim deve permanecer. Diga não ao Marco!”


Discordo frontalmente dessa visão que se baseia numa concepção política “quanto menos lei, melhor”, um liberalismo estilo o Tea Party americano. Leis vêm enfatizar liberdades individuais e incentivar a economia. Leis de concorrência, por exemplo, que impedem monopólios são muito importantes para o mercado. A insegurança que existe hoje por não ter lei de internet é muito pior. Em 2012, por exemplo, o presidente do Google foi preso por não retirar um vídeo que falava mal de um político. O juiz entendeu que era culpa dele. Hoje um juiz tem o poder de fazer esse tipo de mandato. O Marco Civil quer trazer maior segurança pro indivíduo.
O Marco Civil está muito mais como uma norma para expandir liberdades individuais do que restringir.
Todo mundo sai ganhando com o Marco Civil. Caso você queira montar um pequeno canal no Youtube, de piadas, você vai precisar de várias garantias: neutralidade de rede, liberdade de expressão e segurança jurídica em relação a responsabilidade. Hoje o Porta dos Fundos, por exemplo, sofre ações constantes. O Marco Civil dá segurança para que este canal funcione normalmente.

Senado


Acho que não vão ter mudanças radicais no Senado. Percebo em minhas conversas em Brasília que estão todos confiantes que o Senado aprove o mesmo texto da Câmara sem muita discussão. As teles podem criar objeções, claro, porque a elas não interessa a neutralidade que acba com diferenciação de serviços e novas formas de cobrança por outros produtos.

Facebook e SEBRAE lançaram curso para empreendedores

Uma parceria entre Facebook e Sebrae pretende capacitar mais de um milhão de empreendedores brasileiros ainda em 2014. O projeto prevê o lançamento de um curso online gratuito desenvolvido pela rede social. A plataforma será em português e conta com um componente interativo de jogo, no qual os empreendedores aprenderão a usar a rede para atingirem seus objetivos de negócios. Ao final, o empresário adquire créditos para usar em anúncios na plataforma.
A ideia é que tanto o Facebook como o Sebrae consigam interagir com os internautas por meio da plataforma. O projeto quer contribuir com a inclusão digital de pequenos negócios a apresentar as oportunidades e o potencial de geração de negócios do mundo online, assim como ensiná-los a usar o Facebook para dar visibilidade às suas empresas
Além do curso online, a parceria também vai colocar frente a frente especialistas do Facebook e donos de pequenos negócios. O Sebrae e o Facebook irão a capitais brasileiras num Road Show  para capacitar e dar suporte aos empreendedores locais no desenvolvimento de seus negócios dentro do Facebook. Os encontros ocorrerão nas unidades locais do Sebrae. Também estão previstas participação desses especialistas nas Feiras do Empreendedor promovidas pelo Sebrae.
“Queremos crescer junto com o mercado e contribuir para a inclusão digital de micro e pequenas empresas brasileiras. Hoje, o Facebook chega a oito em cada 10 internautas brasileiros e isso representa uma oportunidade enorme para que os empresários cheguem aos seus consumidores”, afirmou Patrick Hruby, diretor de Negócios para PMEs do Facebook para a América Latina. “A parceria com o Sebrae nos ajudará trazer esses empresários para o mundo online, assim como nos dará mais capilaridade no mundo offline. Hoje já são mais de 25 milhões de páginas de PMEs no mundo, queremos chegar a todas as outras”, concluiu o executivo.
Para o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, num curto espaço de tempo as redes sociais já atingem o universo empresarial. “A utilização de estratégias de marketing digital e relacionamento com  clientes em ferramentas virtuais populares, como o Facebook, passaram a ser obrigatórios na rotina dos empreendedores. A parceria Sebrae e Facebook é justamente o reconhecimento da internet como ambiente fundamental na gestão e desenvolvimento dos pequenos negócios”, conclui.